terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Jesus no Lar


Para a generalidade dos estudiosos, o Cristo permanece tão-somente situado
na História, modificando o curso dos acontecimentos políticos do mundo; para a
maioria dos teólogos, é simples objeto de estudo, nas letras sagradas, imprimindo
novo rumo às interpretações da fé; para os filósofos, é o centro de polêmicas
infindáveis, e, para a multidão dos crentes inertes, é o benfeitor providencial nas
crises inquietantes da vida comum.
Todavia, quando o homem percebe a grandeza da Boa Nova, compreende que
o Mestre não é apenas o reformador da civilização, o legislador da crença, o
condutor do raciocínio ou o doador de facilidades terrestres, mas também, acima de
tudo, o renovador da vida de cada um.
Atingindo esse ápice do entendimento, a criatura ama o templo que lhe orienta
o modo de ser; contudo, não se restringe às reuniões convencionais para as
manifestações adorativas e, sim, traz o Amigo Celeste ao santuário familiar, onde
Jesus, então, passa a controlar as paixões, a corrigir as maneiras e a inspirar as
palavras, habilitando o aprendiz a traduzir-lhe os ensinamentos eternos através de
ações vivas, com as quais espera o Senhor estender o divino reinado da paz e do
amor sobre a Terra.
Quando o Evangelho penetra o Lar, o coração abre mais facilmente a porta ao
Mestre Divino.
Neio Lúcio conhece esta verdade profunda e consagra aos discí pulos novos
algumas das lições do Senhor no círculo mais íntimo dos apóstolos e seguidores da
primeira hora.
Hoje, que quase vinte séculos são já decorridos sobre as primícias da Boa
Nova, o domicílio de Simão se transformou no mundo inteiro...
Jesus continua falando aos companheiros de todas as latitudes. Que a sua voz
incisiva e doce possa gravar no livro de nossa alma a lição renovadora de que
carecemos à frente do porvir, convertendo-nos em semeadores ativos de seu infinito
amor, é a felicidade maior a que poderemos aspirar.

EMMANUEL

Pedro Leopoldo, 3 de outubro de 1949.

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